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ESTERÓIDES (Imagem web) ESTERÓIDES (Imagem web)

Saúde - O QUE SÃO OS ESTERÓIDES (Hormônios esteroidais)

Muito se fala sobre o uso anabolizantes de forma indiscriminada, causando sérios danos à saúde. Porém a maioria das pessoas não tem conhecimento sobre, O QUE É? 
Neste artigo, Dr. Dermival Pansera esclarece dúvidas sobre "Hormônios esteroidais", usados como anabolizantes.
 
Os hormônios esteroidais naturais são substâncias produzidas pelo nosso próprio corpo, no córtex da glândula supra renal e nas gônadas (testículos e ovários). Eles podem ser classificados basicamente em 3 tipos: os hormônios mineralocorticoides, os glicocorticóides e os hormônios sexuais.
 
Os hormônios esteroidais, da classe dos mineralocorticoides, controlam a concentração de eletrólitos no sangue e nos tecidos, diminuindo a excreção renal de sódio e aumentando a excreção de potássio.  A retenção de sódio facilita a retenção de líquido e consequentemente o aumento de pressão arterial. O mais importante representante deste grupo é a aldosterona. Esta classe dos esteróides não possui atividade anabólica.
 
Os glicocorticóides, ou corticosteroides como também são conhecidos, são hormônios usados pelo organismo basicamente em situações de stress, e servem para desviar a atividade metabólica de forma a se obter energia rapidamente. Neste sentido, participam dos mecanismos de controle do metabolismo das proteínas, das gorduras e dos carboidratos. Com relação às proteínas, possuem um efeito catabólico importante na maioria dos tecidos do corpo, exceto no fígado. Nestes locais, agem estimulando a quebra das moléculas de proteínas formando aminoácidos que serão em parte liberados no sangue e em parte serão convertidos em glicose (neoglicogênese). No fígado o efeito é o inverso, agem estimulando a síntese de proteínas plasmáticas, importantes para situações de emergência, usando os aminoácidos musculares liberados no sangue. 
 
A ação dos glicocorticóides se faz de forma generalizada e em geral, na clínica, são usados como antinflamatórios ou para diminuir a produção de anticorpos, controlando a resposta imunitária. São importantes destruidores de massa muscular. O representante mais importante do grupo é o cortisol.
 
Os esteróides sexuais são produzidos principalmente pelas gônadas (ovários e testículos) e em menor proporção no córtex da glândula adrenal (suprarrenal), sob o efeito estimulante dos hormônios hipofisários LH e FSH.  São classificados em dois grupos: os andrógenos e os estrógenos. Eles afetam o desenvolvimento das características sexuais masculinas ou femininas, assim como o comportamento sexual, além de exercerem uma série de outras funções, relativas às atividades reprodutoras do organismo. 
 
São moléculas lipossolúveis e por isso passam facilmente pela membrana plasmática das células, após o que se ligam a receptores específicos, podendo assim atuar, tanto a nível citoplasmático, como penetrar no núcleo e intervir diretamente na transcrição gênica, determinando o aumento da síntese de proteínas, como já vimos anteriormente.
 
Os hormônios esteroidais existem em circulação numa concentração extremamente baixa, fato que se explica pela grande afinidade existente entre eles e os seus receptores específicos, sendo portanto desnecessário, em situações normais, grandes quantidades para se obter o efeito esperado.
 
Quando a quantidade dos hormônios sexuais aumenta, além do necessário, ocorre inibição da produção dos hormônios hipofisários e consequentemente as gônadas diminuem a sua produção (feed back negativo). 
 
A testosterona apresenta, além dos seus efeitos relacionadas às determinações das características sexuais masculina, conhecidos como efeitos androgênicos, um efeito de promover o aumento da massa muscular, da força e da definição da musculatura, conhecido como efeito anabolizante. Os estrógenos e a progesterona (hormônios femininos) não apresentam este efeito anabolizante.
 
Os múltiplos efeitos androgênicos, apresentados pela molécula de testosterona, são indesejáveis, quando estamos interessados em promover apenas o anabolismo. Por este motivo a indústria química tem procurado desenvolver substância sem efeitos androgênicos e com efeitos anabolizantes aumentados, mas ainda não obteve sucesso e todos os anabolizantes esteroidais apresentam, em maior ou menor quantidade, um certo efeito androgênico.
 
Além disto os esteróides sexuais, principalmente o estrógeno, também apresentam certo efeito dos esteróides pertencentes à classe dos mineralocorticoides e promovem em maior ou menor intensidade retenção de sódio, edema e hipertensão.
 
O anabolizante esteroidal ideal seria isento de efeito mineralocorticoide e de efeito androgênico, atuaria em baixíssima concentração, seria de fácil metabolização de modo que não seria tóxico ou danoso a nenhum órgão. Infelizmente este anabolizante não existe e todos os existentes, além dos efeitos indesejáveis já descritos, podem apresentar graus diversos de agressividade ao fígado ou outros tecidos, quando usados de forma inadequada. 
 
 
Dr. Dermival Pansera (Foto: Divulgação)

 

Dr. Dermival Pansera é médico atuante nas áreas de endocrinologia, metabologia, nutrologia, medicina antienvelhecimento e medicina estética.