Sábado, 16 Dezembro 2017 | Login
Novo disco de estúdio da banda irlandesa já disponível nas lojas e em todas as plataformas digitais
 
Álbum estreia na 1ª posição do iTunes Brasil e faixa
“Love Is All We Have Left” aparece no Top 20 do serviço
 
 
Já está disponível nas principais lojas e todas as plataformas digitais o novo disco de estúdio da banda irlandesa U2. “Songs of Experience” é o 14º álbum de estúdio do grupo e contém 13 faixas inéditas. O disco chega nas versões Standard e Deluxe (este com 17 músicas), além do vinil.
 
O segundo single do álbum, intitulado ‘Get Out Of Your Own Way’, já está disponível. O primeiro, ‘You’re The Best Thing About Me’, foi lançado em 6 de setembro. A banda também lançou em agosto a faixa ‘The Blackout’ , em uma performance de vídeo.
 
Gravado em Dublin, Nova York e Los Angeles, “Songs of Experience” ficou pronto em 2017, sob influência do conselho dado pelo poeta, escritor e professor irlandês Brendan Kennely a Bono Vox “para escrever como se estivesse morto”. O resultado é uma coleção de faixas no formato de cartas intimistas para lugares e pessoas próximas ao coração do artista: sua família, seus amigos, seus fãs e ele mesmo.
 
“[...] A banda está em um momento em que equilibram precisamente grandeza e graciosidade, enquanto aproveitam seu passado pós-punk e a facilidade incrível que possuem para fazer pop moderno. [...] É uma criação mitológica que manifesta a magia eterna da música, feita por uma banda que se recusa a deixar essa magia acabar.” – Revista Rolling Stone americana, que considerou o disco o 3º melhor de 2017.
 
“Songs Of Experience” acompanha o disco de 2014, “Songs Of Innocence”. Os dois títulos foram inspirados pela coleção de poemas do século XVIII, “Songs of Innocence and Experience”, de William Blake. O álbum estreou em 1º lugar no iTunes Brasil e 2º lugar no iTunes americano, com a faixa “Love Is All We Have Left” em 16º lugar entre as músicas mais baixadas.
 
Produzido por Jacknife Lee e Ryan Tedder, com Steve Lillywhite, Andy Barlow e Jolyon Thomas, o disco teve a capa feita por Anton Corbijn com a foto dos filhos de membros da banda, os adolescentes Eli Hewson e Sian Evans.
 
 
 
Veja o repertório completo de “Songs of Experience”:
 
1. Love Is All We Have Left
2. Lights of Home  
3. You’re The Best Thing About Me
4. Get out of Your Own Way
5. American Soul
6. Summer of love
7. Red Flag Day
8. The Showman (Little More Better)
9.The Little Things That Give You Away
10. Landlady
11. The Blackout
12. Love Is Bigger Than Anything in Its Way
13. 13 (There is a Light) 
 
Para o repertório da versão deluxe, acesse:
 
Para os roqueiros de plantão é sem duvida a melhor forma de encerrar 2017
 
 
Duas grandes bandas da história do Rock, Tesla dará a partida para cada dia de música, seguidos pelos americanos do Cheap Trick e terminando com os britânicos do Deep Purple.
 
 
 
Curitiba – 12/12/17 – Pedreira Paulo Leminski
São Paulo – 13/12/17 – Allianz Parque
Rio de Janeiro – 15/12/17 – Jeunesse Arena
 
O público terá a oportunidade de curtir três shows completos na mesma noite, em cada cidade. 
 
Cheap Trick substitui a banda Lynyrd Skynyrd que teve a apresentação cancelada por motivos pessoais.
 
Confira na íntegra a nota que o Lynyrd Skynyrd divulgou:
 
Os membros do Lynyrd Skynyrd estão desapontados por anunciar que estão cancelando sua participação no Solid Rock com o Deep Purple e Tesla.
 
A filha de Johnny Van Zant, um dos membros do Lynyrd Skynyrd, foi diagnosticada com Linfoma Linfoblástico Agudo e, por hora, será submetida a um tratamento agressivo. Johnny usará os próximos meses para se concentrar no tratamento e saúde de sua filha.
 
O Lynyrd Skynyrd gostaria de pedir desculpas aos fãs da América do Sul, com a promessa de voltar no futuro.
 
Enquanto isso, os bons amigos da banda e membros do Rock and Roll Hall of Fame, Cheap Trick, estarão se juntando à turnê em dezembro.
 
O frontman, Robin Zander diz: "Estamos ansiosos para nos juntar ao Deep Purple e Tesla na América do Sul como parte do Solid Rock Tour ... apenas desejava estar em circunstâncias diferentes. Nossos pensamentos e orações estão com Johnny, sua filha e todos nossos amigos de toda a família Lynyrd Skynyrd ".
 
 
 
 
CHEAP TRICK
Com mais de 5.000 apresentações durante quatro décadas e 20 milhões de discos vendidos em todo o mundo, Cheap Trick é, sem dúvida, um dos mais influentes grupos de rock clássico nos últimos 50 anos. 
 
Hits como "I Want To Want Me", "Dream Police" e "Surrender" cimentaram o grupo como uma das melhores bandas de Rock 'n' roll da América de todos os tempos.
 
 
DEEP PURPLE
Depois de 3 anos, o Deep Purple volta ao Brasil com a The Long Goodbye Tour. A turnê que promove seu último álbum – o 20º de uma história que começou lá atrás, nos anos 60 – Infinite (2017), que foi lançado em abril. Agora em outubro, os britânicos – donos de um dos nomes mais importantes já induzidos na Rock & Roll Hall of Fame – vão viajar pelo Brasil para três apresentações.
 
Chegando ao quinto disco gravado pela formação atual, formada pelos membros a era clássica Ian Gillan (vocal), Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra) e Don Airey (teclado), vão apresentar clássicos e hits que foram feitos durante os quase 50 anos de estrada da banda.
 
O público terá a oportunidade de curtir algumas músicas novas do último álbum, como “Time for Bedlam” e “Roadhouse Blues”, além de músicas que se tornaram verdadeiros hinos para os amantes do Rock’n’Roll, como “Strange Kind Of Woman”, “Highway Star”, “Burn” and “Smoke on the Water”. Não só essas músicas, como toda a discografia do Deep Purple são responsáveis por construir gerações e mais gerações de fãs, que terão a oportunidade de assisti-los em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.
 
Para mais informações sobre o show e sua turnê mundial, visite www.deeppurple.com
 
Informações sobre ingressos em www.ticketsforfun.com.br
 
 
SOLID ROCK: Deep Purple, Cheap Trick  e Tesla
 
SERVIÇO:
 
Curitiba (PR)
Data: Terça-feira, 12 de dezembro de 2017.
Abertura dos portões: 16h.
Apresentação Tesla: 19h.
Apresentação  Cheap Trick: 20h30.
Apresentação Deep Purple: 22h30.
Local: Pedreira Paulo Leminski 
R. João Gava, 970 – Abranches - Curitiba - PR
Capacidade: 25.000 pessoas.
 
 
São Paulo (SP)
Data: Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017.
Abertura dos portões: 16h.
Apresentação Tesla: 19h.
Apresentação  Cheap Trick: 20h30.
Apresentação Deep Purple: 22h30.
Local: Allianz Parque
Rua Turiassú, 1840 – Perdizes - São Paulo - SP
Capacidade: 48.113 pessoas.
 
 
Rio de Janeiro (RJ)
Data: Sexta-feira, 15 de dezembro de 2017.
Abertura dos portões: 16h.
Apresentação Tesla: 19h30.
Apresentação  Cheap Trick: 21h.
Apresentação Deep Purple: 23h.
Local: Jeunesse Arena
Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ
Capacidade: 13.000 pessoas.
 
 
 
 

 

Richie Kotzen é considerado um dos melhores guitarristas do mundo
e tem um som tão característico que é quase como uma caligrafia.
Inconfundível! 
 
Este ano, o guitarrista e compositor lançou seu vigésimo álbum solo, “Cannibals”, e esteve em uma pequena turnê pelo Brasil abrindo os shows da banda Extreme em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.  
Em um set curto e eficaz, com hits como “you can’t save me”, “doing what the devil says to do” e fechando com “go faster”, Richie conquistou a platéia que lotava o HSBC em São Paulo no sábado pós dia dos namorados. Os solos impactantes e um notável entrosamento entre a banda mostrou que, mesmo depois de todos esses anos, o hardrock ainda pode impressionar.  
 
Por Luana Ferrari
 
Cult Circuito - Esse ano você lançou um novo álbum solo, “Cannibals”. Conta um pouco da criação e concepção desse disco. 
 
Richie Kotzen - Eu escrevi a música “Cannibals” numa onda de criação. Ela simplesmente veio, junto com uma ou duas outras ideias de música – acho que “The Enemy” foi uma delas. E tinha também uma música que eu tinha composto com a minha filha, “You”. Com isso eu entrei em “modo disco”, em “modo gravação”, e fui jogando ideias aqui e ali. Foi assim que esse disco surgiu. Aliás, não só esse disco, mas é assim que os meus discos surgem. Eles acontecem.      Eu começo com duas ou três músicas novas que me empolgam e aí eu olho pra trás e vou buscar coisas que eu comecei a escrever e nunca concluí. É quando essa bola de inspiração começa a rolar que eu, normalmente, consigo terminar esses trabalhos antigos. 
   O que é interessante nesses álbuns é que eles contêm, obviamente, músicas novas, mas também tem coisas que eu não conseguia terminar por muitos anos e já tinha até esquecido. É uma mistura de trabalhos novos e redescobertas. Por exemplo, a música “Come on free” estava no meu HD acho que há uns nove ou dez anos. Depois de ter escrito “Cannibals” eu pensei ‘bom, agora, finalmente, eu posso incluir isso dentro de um álbum’. De algum modo, esse é o meu processo.
   Ao mesmo tempo, ultimamente, eu penso que gostaria de tentar algo diferente da próxima vez que eu fizer um disco solo. Eu venho trabalhando há tanto tempo com o Dylan (Wilson – baixo) e o Mike (Bennet – bateria) e acho que seria divertido entrar em um estúdio como nos velhos tempos. Sabe, marcar uma hora e fazer um disco com todos tocando juntos. A maioria dos meus álbuns eu meio que toco tudo. Eu sempre tenho convidados que vêm e gravam algumas coisas, mas isso é algo que eu não faço há muito tempo e acho que eu gostaria de reviver essa experiência, especialmente depois de estar tocando com esses caras há tanto tampo. Acho que acrescentaria muito à música.
 
Cult Circuito - Como você imagina esse processo? Vocês criariam juntos... 
 
Richie Kotzen - Bom, eu faria... É o seguinte. O que me empolga na música, o que me faz fazer música, é o processo criativo. Eu escreveria as canções, mas ao invés de escrever e imediatamente gravá-las sozinho, eu as escreveria, sentaria ao piano ou com uma guitarra acústica e tocaria para a banda. Eles teriam tempo de digerir a ideia e então colaborariam na produção e veríamos o que acontece. 
 
Cult Circuito - Você falou sobre a música que você compôs com a sua filha, August. Eu sei que essa música veio de uma melodia que ela tinha criado e que ficou esquecida por anos. Como isso aconteceu?
 
Richie Kotzen - Sim! Faz anos... Quer dizer, eu nem sei mais... Há muito tempo, acho que ela tinha uns doze ou treze anos, ela estava sentada ao piano tocando um mesmo trecho sem parar e eu perguntei ‘o que é isso?’ – nós tocamos a melodia algumas vezes até que ela disse ‘Eu que inventei’. Eu disse ‘Isso é muito legal! Nós deveríamos gravar, pra você não esquecer. ’ – disse isso, pois eu tinha certeza que ela provavelmente esqueceria a melodia com o tempo. Então, eu arrumei os microfones sobre o piano e gravei-a tocando por uns sete minutos. Eram três partes que seguiam sem parar. Depois, eu me esqueci dela.
   Mais recentemente, eu estava limpando meu HD e encontrei a gravação. Ouvi de novo e disse ‘isso é muito legal’. Ela não havia feito nada com essa música por anos e então, eu meio que escrevi uma letra e segui a melodia do piano. No final, saiu algo que eu achei que ficou bastante “único”. Quando eu terminei, mostrei pra ela e ela curtiu. Nós decidimos, então, fazer um vídeo e criamos um conceito bem legal. Nós encontramos uma casa velha, bem “vintage”, dos anos 1920, na Califórnia e gravamos o vídeo. Você tem que assistir, é bem legal!
 
Cult Circuito - Estávamos falando sobre o seu processo de criação. Você acha que ele mudou ao longo dos anos? Evolui de alguma forma?
 
Richie Kotzen - Bom, nada mudou recentemente, não. Na verdade, nunca chegou a mudar de verdade. Eu cresci em uma pequena cidade, bastante isolada, e quando eu comecei a fazer minhas demos, eu precisava descobrir como gravar as minhas ideias. Eu arrumava meu ambiente de gravação de modo que eu pudesse pular de um lado para o outro, da bateria para o baixo, piano, guitarra... Eu diria que eu não sou incrivelmente bom em nenhum desses instrumentos, mas eu sou capaz de transmitir o que eu estou ouvindo e era assim que eu fazia as demos e, antigamente, era assim também que eu fazia os meus discos. Eu trazia pessoas para tocar as partes e, com o tempo, eu fui ficando mais aventureiro e passei a tentar tocar eu mesmo. Mas o processo em si não é diferente. 
   Hoje em dia, quando eu gravo, eu organizo o meu estúdio com a bateria microfonada, a guitarra e o baixo plugados, para eu poder andar em círculos. Eu posso colocar uma batida em uma faixa, aumentar uma linha de guitarra, cantar alguma coisa. Com isso, surgem coisas que podem, ou não, entrar no disco. Com o passar do tempo a música evolui e se torna algo que eu ouço e penso ‘está pronta. Está soando como o que eu ouvia na minha cabeça’. Finalmente essa é a única variável real; quando você ouve e fica satisfeito com tudo. É aí que você sabe que a música está pronta. Claro que é fácil se deixar levar pelas incertezas e dúvidas, mas você precisa, em certo momento, realmente confiar nos seus instintos. 
 
Cult Circuito - Nós falamos sobre o seu processo criativo e como ele mudou, ou não mudou. Como você vê tudo isso dentro do cenário do rock? Você acha que as coisas mudaram nas últimas décadas? Quando você tocava com o Mr Big e com o Poison você era esse guitarrista virtuose que tocava milhares de notas por segundo. A habilidade continua a mesma, ou até melhor, mas a gente ouve um fraseado diferente, pausas... Você acha que, de alguma forma, você amadureceu como músico? 
 
RICHIE KOTZEN, show HSBC BRASIL / SP - 2015   (Foto: Divulgação HSBC BRASIL )    

Richie Kotzen - O fraseado é muito importante. É uma língua. É como você se comunica no espaço. Fraseado é a chave. No entanto, eu acho que tenho uma luta interessante porque a minha notoriedade veio de um certo gênero, em um determinado momento, em um ponto da minha evolução. Eu era, literalmente, um garoto de 17 anos escrevendo música instrumental de guitarra para tentar entrar na revista “Guitar Player”. Eu via isso como uma saída. Qualquer coisa que acontecesse depois disso não importava, mas eu via isso tudo como uma maneira de sair da minha pequena cidade. Finalmente, o que aconteceu de fato foi que eu acabei por gravar um disco com aquelas composições de quando eu era um guitarrista de 17 anos. Esse período da vida, 16, 17, 18 e 19 anos, é quando você realmente começa a evoluir. Foi nesse período que eu comecei a crescer como pessoa. Eu comecei a lembrar das músicas que eu ouvia quando era criança e o que me inspirava, o que me fazia querer tocar.

   Com isso eu comecei a cantar e a escrever letras, e realmente foquei em me expressar através da música e não somente através da guitarra. Eu quase abandonei a guitarra por um tempo pra me dedicar a outras coisas. Desde o princípio eu pensava ‘eu amo música’. Quando eu era adolescente eu pensava ‘eu amo tocar hard rock na guitarra’, mas depois eu evoluí e me afastei disso. Com isso, a guitarra passou a ser mais um veículo para expressar as minhas ideias, para trazer minhas músicas à vida. Eu acho que a luta é porque eu fiquei conhecido como um certo tipo de guitarrista que não era necessariamente a verdade. Não representava a essência da minha entidade criativa. Conforme eu fui ficando mais velho, eu pude encontrar essa essência em mim mesmo. Eu cheguei a um ponto onde disse ‘oh, isso é o que eu curto em termos de música. Isso é o que eu gosto’. 

   Agora, como adulto, sinto que o círculo se completou. Eu subo no palco e não preciso mais abandonar a maneira de tocar guitarra com a qual eu cresci, mas ao mesmo tempo eu consigo expressar a criatividade e os elementos da música. Como eu disse, o círculo se fechou. Eu estou em um ótimo momento de criatividade. Não posso reclamar. Mas foi uma longa jornada até chegar onde estou e muitos obstáculos foram superados que pouco ou nada tinham a ver comigo ou com o meu vocabulário como músico. Na indústria tem muita gente querendo te analisar e te dizer o que você é. Com isso, eu descobri que era importante criar um ambiente onde eu pudesse ser eu mesmo. É isso que a minha banda tem de tão poderoso. Dylan e Mike criam uma tela para que eu seja eu. E é por isso que tudo soa tão bem. Se as pessoas gostam ou não, é irrelevante. O que é relevante é que quando eu estou no palco, como eu fiz hoje à noite, é verdadeiro. 
   É o que é. Erros, acordes errados, acordes certos, é... Isso é Richie Kotzen! Isso é o que eu faço. É por isso que eu sou grato. Finalmente depois de tantos anos eu cheguei a um ponto onde eu posso me representar sem influências externas que me fazem sentir desconfortável.
 
Cult Circuito - Eu me lembro que você tem uma bagagem musical bastante interessante e você falou sobre “lembrar o que te levou a fazer música”. Então, o que foi? O que você ouve e/ou ouvia? Quais as suas referências? 
 
Richie Kotzen - Eu cresci em um ambiente bem interessante. Minha mãe era fã de rock. Ela viu Hendrix diversas vezes; foi ao show dos Beatles na primeira vez que eles foram aos Estados Unidos; viu The Rolling Stones; Blood Sweat and Tears, The Who, quando eles abriram pro Herman’s Hemits. Ela tinha todos esses discos. Meu pai era fã de R&B. Ele tinha discos de Curtis, Mayfield, All Green, Sam & Dave. Eu cresci com essa espécie de equilíbrio. Ao mesmo tempo, eu ouvia as rádios da Philadelphia com The Spinners e, mais tarde, “Hall and Oates”. Com o tempo esse som começou a fazer parte do meu DNA. Tem também algumas coisas modernas que eu ouço e que me inspiram de tempos em tempos. Assim, de imediato eu não consigo pensar em nada específico, mas, de vez em quando eu ouço alguma coisa que me faz pensar ‘oh wow, isso me lembra o passado, mas soa diferente e novo’.
   Eu não acho que o espírito da música tenha morrido de forma alguma. Acho que ele evoluiu. O interessante é que agora temos pessoas fazendo música que, quando eu era criança, nunca poderiam fazer simplesmente por não ter a habilidade necessária. A tecnologia permite que alguém, que não são necessariamente músico, que talvez nem saiba afinar uma guitarra, grave algo que pode vir a conectar com outro alguém. Vários músicos estão reclamando disso, mas, ao mesmo tempo, temos que ver o outro lado dessa evolução, onde temos pessoas sendo criativas de um modo que antes era impossível. Eu acho que isso ajudou a abrir o leque de oportunidades. Sem contar que ainda temos jovens que são excelentes músicos e que estão levando o instrumento para outro nível. É isso. Nós temos cada vez mais. Ah, e tem o youtube, para quem está aprendendo. Quando eu era garoto eu não podia ver alguém tocando uma linha de guitarra que eu não estivesse conseguindo decifrar sozinho. Agora isso é possível. Com isso, vemos os jovens avançando e evoluindo cada vez mais rápido pois eles têm e sabem usar todos esses recursos. Eu acho isso tudo muito interessante.
 
Cult Circuito - Então você acha que o cenário está evoluindo?
 
Richie Kotzen - Todo mundo gosta de dizer que estamos andando para trás. Eu acho que culturalmente isso é verdade, estamos andando pra trás. Eu acho que, hoje em dia, todo mundo é uma estrela. Literalmente. E isso faz com que o nível cultural fique absurdamente desinteressante.  No entanto, quando falamos de criatividade, vemos gente quebrando barreiras, seguindo em frente e fazendo coisas que nunca foram feitas que necessitam um certo grau de integridade artística e alguma habilidade. Na verdade, é a mesma coisa que sempre foi, mas em uma escala maior. 
 
Cult Circuito - Você acha que tem alguma diferença para um músico estar no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa ou onde quer que seja? Você acha que a localização geográfica faz com que fique mais ou menos fácil? Faz com que alguém tenha mais ou menos oportunidades.
 
Richie Kotzen - As pessoas gostam de muletas porque se você tem uma desculpa fica mais fácil engolir não conseguir o que você queria. Mas, honestamente, eu não sei o quanto isso realmente faz diferença. Quando eu penso que vim de uma cidade pequenininha na Pensilvânia, onde havia uma cena musical muito limitada – a Filadélfia tinha uma cena musical, e eu podia chegar lá em uma hora, mas... – a verdade é que eu vim do nada e cheguei onde quer que seja. Muitos artistas vieram de diferentes lugares. As pessoas vêm de toda parte. Eu não acredito que essa seja uma muleta válida. Eu acredito que se você fizer algo que dialogue com as pessoas, que conecte com elas, você vai encontrar o seu caminho. Ao mesmo tempo, você pode ser o músico mais talentoso e viver no centro de Nova Iorque e, por qualquer razão desconhecida, as coisas podem simplesmente não acontecer. 
   Pessoalmente, eu trilhei um caminho de frustrações constantes por nunca estar verdadeiramente onde eu queria em termos da minha carreira. De repente, no meio da minha carreira, eu abandonei todo pensamento que eu tinha e passei a seguir as minhas emoções e disse ‘eu só vou fazer música que me deixe feliz.’ Foi assim que eu comecei a sentir que eu estava sendo honesto comigo mesmo, em paz, e com isso portas começaram a se abrir e as pessoas começaram a se conectar com aquela honestidade artística. Eu acho que essa é a grande sacada. Eu não sei se faz muita diferença onde você está. Pense que uma banda como Journey achou um vocalista do Pacífico Sul. Eu acho que não consigo validar o argumento de ‘eu seria uma grande estrela mas estou preso nessa cidade pequena’. Eu não sei mais como as coisas são no começo. Eu tenho 45 anos e lancei o meu primeiro disco aos 18. Estou certo que a minha perspectiva está um pouco distorcida, mas eu acho que a coisa da criatividade é que você faz o que faz porque precisa. É quase uma terapia. Se você estiver fazendo porque precisa ser reconhecido por isso, você está ferrado.          Você entendeu tudo errado. Se você faz simplesmente porque precisa, e porque curte; esse é o começo e o fim. Se você pensa ‘eu preciso ganhar a vida, preciso de dinheiro’, sabe de uma coisa? Arranje um emprego. Seja médico, vá para a escola, abra uma barraca de cachorro-quente. Faça o que você tiver que fazer pra sobreviver. Mas quando se mistura criatividade e finança cria-se um caos interno. Até para os mais bem sucedidos. Alguns ficam famosos pela sua arte e fica fácil se prender em premissas como ‘agora que eu ganhei dinheiro com a minha arte eu tenho que seguir essa linha, mas, de repente, eu não sinto mais dessa forma, quero mudar’. As vezes você muda e perde o que havia conquistado. Você tem que decidir. Se você for sofisticado o suficiente, mentalmente, para separar as coisas, pode ser que tudo dê certo. Mas, pra mim, são duas coisas diferentes. Se eu não pudesse tocar da maneira que eu quero, da maneira que eu ouço, que eu sinto, como eu fiz hoje a noite, eu abandonaria tudo. 100%.  Largaria tudo e arranjaria um emprego como empreiteiro. Eu construiria casas, ou eu trabalharia para a prefeitura de Los Angeles e construiria as linhas de esgoto da cidade; eu pagaria as minhas contas e deixaria minha arte ser minha arte. Eu não quero questões financeiras infiltradas nas minhas decisões criativas. Se não vira ‘porque eu estou fazendo isso? Ou ‘Não é isso que me empolgava.’
   Nem todos se sentem assim. Eu tenho certeza que para um artista pop a formula é diferente. É uma vida diferente. É uma vida que eu não conheço. E é ótima também, mas eu estou falando sob a minha perspectiva, sabe. É o que eu penso...
 
Álbum Cannibals / Richie Kotzen
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