Sábado, 16 Dezembro 2017 | Login
Um dos artistas mais conhecidos do Brasil desde os anos 80 se reinventou criando um stand up comedy de maior sucesso do Brasil, lotando imensos teatros faz única apresentação em Santo André. 
 
 
Neste show, Mallandro conta historias de sua carreira e de sua vida de um jeito hilário. Nas histórias cita seu padrasto general, Xuxa, Marlene Mattos, Wagner Monte, Maradona, Jorge Benjor, Silvio Santos. 
 
 
Também conta como é viver e morar junto com sua ex-mulher Mary Mallandro. Sérgio promete que sou show não é só "glu glu, yeah yeah" e que tem historias hilárias e uma boa participação do público e, ainda, que no final abre a Porta dos Desesperados.
 
 
 
Serviço: SERGIO MALANDRO Stand Up Comedy
Quando: 21 de Dezembro | Quinta às 21h30
Onde: HILLARIUS COMEDY BAR - Av. Dom Pedro II, 1051 - Bairro Jardim - Sando André - SP
Classificação: 18 anos.
 
PONTO DE VENDAS (com taxa de serviço)
 
BILHETERIA EXPRESS 
Tel.: (11) 2771-0016 - Segunda à Sexta: 10h00 às 17h00
 
DREAM CAR
Estr. das Lágrimas, 658 - Jardim Sao Caetano
São Caetano do Sul - SP
Segunda à Sexta-feira 08:30–17:00
Sábado 08:30–12:00
 
A APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes anunciou nesta semana (12/17) os vencedores do Prêmio APCA 2017, em várias categorias.
 
A Companhia de Danças de Diadema foi vencedora na categoria Coreografia/Criação com o espetáculo Eu por detrás de MIM, coreografado e dirigido por Ana Bottosso, que estreou em janeiro deste ano.
 
 
EU por detrás de MIM no Sesc Santo Amaro, foi inspirado em obras do artista visual dinamarquês Olafur Eliasson e no conto O Espelho, de Guimarães Rosa. Transitando pelos meandros dos reflexos e das reflexões, Ana Bottosso imaginou um universo existente por trás dos espelhos, um mundo além  deste que conhecemos, para conceber a coreografia. Seria este mundo mais - ou menos - real? Esta e outras questões foram surgindo durante o processo de criação, iniciado em 2014, norteando as pesquisas cênicas da obra, construída em conjunto com o elenco da Companhia de Danças de Diadema.
 
Desde o primeiro contato com Olafur Eliasson na exposição Seu Corpo da Obra, na Pinacoteca de São Paulo, em 2012, Ana Bottosso se sentiu motivada a criar algo que tratasse dos espelhos e seus reflexos. Na exposição, espelhos eram posicionados em locais inusitados que se revelavam de forma inesperada, aguçando a sensibilidade da coreógrafa e levando-a, então, a iniciar uma pesquisa sobre o assunto.  Posteriormente a esse primeiro momento criativo, o espetáculo recebeu influências também da obra literária O Espelho, conto de Guimarães Rosa, no qual apresenta uma inquieta personagem e a descoberta de sua essência. O trabalho propõe o diálogo entre a aguda percepção de Machado acerca da formação do sujeito brasileiro e a poética descoberta que Rosa nos oferece com sua inquieta personagem. 
 
 
Ficha técnica - Direção geral e concepção coreográfica: Ana Bottosso. Assistente de direção e produção administrativa: Ton Carbones. Assistente de coreografia: Carolini Piovani. Concepção musical: Fábio Cardia. Desenho de luz: Silviane Ticher. Sonoplastia: Renato Alves. Concepção figurino: Ana Bottosso. Confecção figurino: Cleide Aniwa. Professores de dança clássica: Eduardo Bonnis e Márcio Rongetti. Condicionamento físico: Carolini Piovani. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Assistente de produção: Daniela Garcia e Renato Alves. Elenco: Allan Marcelino, Carolini Piovani, Daniele Santos, Danielle Rodrigues, Elton de Souza, Fernando Gomes, Keila Akemi, Leonardo Carvajal, Thaís Lima, Ton Carbones e Zezinho Alves.
 

 

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Publicações que são deixadas nas Estações de Coleta do Semasa voltam gratuitamente para mão de leitores
 
 
Livros deixados nas Estações de Coleta do Semasa têm, agora, um novo destino, que os devolve para mãos de leitores. Em vez de seguirem para as cooperativas como resíduo reciclável, as publicações descartadas pela população passaram a fazer parte do projeto Livro Vivo, uma ação do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Santo André que estimula o cidadão à prática da leitura, e isso sem pagar nada.
 
O projeto Livro Vivo foi lançado no Parque Celso Daniel e será levado a mais de 40 pontos de acesso da população, entre eles todos os parques da cidade, portarias e postos de atendimento do Semasa. Nos parques, os livros ficarão expostos em geladeiras também descartadas nas Estações de Coleta, transformadas em estantes e grafitadas. Nos demais pontos, os livros ficarão à disposição em caixotes.
 
 
"Quando o morador deixa o livro na Estação de Coleta é porque o considera um resíduo. Este projeto devolve o livro para o seu lugar de essência, que é a cultura", explicou o diretor de Resíduos Sólidos do Semasa, José Elídio Rosa Moreira.
 
 
Além de ofertar leitura gratuita, o projeto integra Santo André no movimento mundial conhecido bookcrossing, que incentiva a troca voluntária de livros – o morador também pode depositar nas "estantes" publicações que deseja doar, evitando o descarte e permitindo a leitura por mais pessoas.
 
 
Para participar basta retirar ou entregar os livros nos pontos de troca. Não é necessário cadastro e nem mesmo identificação. A reposição de livros nestes pontos será efetuada pela Casa da Joanna, entidade parceira da ação que desenvolve o projeto Livre-se há 3 anos, tendo mais de 4.500 livros cadastrados e 45 pontos fixos de troca.
 
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A Companhia do Estevão Maravilha reestreia o espetáculo Sei Lá Vi dia 4 de dezembro, segunda-feira, às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. A temporada segue até o dia 19 de dezembro com sessões às segundas e terças-feiras, às 20h. Nos dias 11 e 18 (segunda) haverá sessões extras às 17h. Ingressos gratuitos.
 
Com direção de Caco Mattos, o elenco formado por Fernando Stelzer, Lucas Pinheiro Paiva, Rafael Senatore e Rodrigo Horta propõe uma ruptura com a ilusão como metáfora para a vida.
 
A concepção do espetáculo surgiu a partir de questionamentos sobre a postura do ser humano perante as mais diversas situações do cotidiano e no interesse em explorar modos com que a farsa, a mentira e a ilusão colocam a humanidade cada vez mais na posição de espectadora da própria vida.
 
A partir da pergunta “o que é ilusão para você?” o diretor pediu aos atores pequenas cenas, músicas, depoimentos pessoais e imagens. Durante o processo de pesquisa visitaram instituições com crianças, adolescentes, adultos e idosos, analisando de que maneira a ilusão atua nessas fases da vida. “Esse foi um momento de levantamento de materialidades cênicas. Em seguida o grupo foi provocado a escolher quais eram as cenas que poderiam potencializar o discurso sobre a ilusão que eles gostariam de emitir. Priorizei e apostei na autonomia dos integrantes, questionando e orientando suas escolhas”, conta Caco Mattos.
 
Ao observar o nonsense dos movimentos surrealista e dadaísta, a fantasia dos desenhos animados e os antigos espetáculos de variedades (por sua pluralidade de atrações, como palhaços, ilusionismo, música, dança etc), a montagem traz uma estética simplista, mas que busca atingir o público pelo deslumbre sinestésico e imaginativo, traduzindo a vida através do não-convencional e da subversão à lógica.
 
“A peça faz uma metáfora sobre a vida, as vezes muito sutil, subliminar. Constantemente, estamos imersos numa relação de ilusão sem perceber, seja nas relações afetivas, nas questões tabus como a morte, nas relações de poder, na solidão. Estabelecemos, conscientes ou não, uma relação com a ilusão e muitas vezes somos manipulados por ela sem nos darmos conta disso”, fala Mattos.
 
A peça é encenada a partir da metalinguagem com os próprios atores realizando uma peça de teatro, cujas cenas são divididas em números de variedades, referentes a cada fase da vida, como infância, juventude, maturidade, velhice. Ao falar de ilusão, a linha entre realidade e fantasia torna-se mais tênue e o jogo, mais vivo.
 
A trilha sonora traz diversos temas característicos de seus tempos como música clássica, valsa, jazz, e o chá chá chá, além de algumas composições próprias, que auxiliam no jogo cênico.
 
“A provocação é instaurar nos espectadores a ruptura da ilusão e colocá-los para pensar a partir da sua experiência pessoal sobre a vida e questões que a Companhia quer abordar”, explica Mattos.
 
O espetáculo foi contemplado pelo ProAc Primeiras Obras de Teatro em 2016, e cumpriu temporada na Oswald de Andrade em outubro.
 
 
Ficha técnica:
Direção: Caco Mattos. 
Criação: Companhia do Estevão Maravilha. 
Elenco: Fernando Stelzer, Lucas Pinheiro Paiva, Rafael Senatore e Rodrigo Horta. 
Cenografia e Adereços: Hélio Senatore. 
Figurino: Luísa Mira, Hélio Senatore e Companhia do Estevão Maravilha. 
Iluminação: Lui Seixas. Operação de Luz: Lui Seixas e Rodrigo Oliveira. 
Direção Musical e Trilha Sonora Adaptada: Companhia do Estevão Maravilha. 
 
 
 
SERVIÇO:
Temporada: De 4 a 19 de dezembro - segundas e terças-feiras às 20h. Dias 11 e 18 – segundas, sessão extra às 17h.
Duração: 70 minutos. Classificação: 10 anos. Sala 7. Capacidade: 30 lugares.  
Local: OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro (próximo a estação Tiradentes do metrô). Informações (11) 3221-4704. 
Ingressos: Grátis (Retirada de ingressos a partir de 1 hora antes da apresentação). 
 
 
 
 
 
 
Rock or Bust é o décimo sexto álbum de estúdio da banda de hard rock Australiana AC/DC, produzido por Brendan O'Brien lançado no dia 28 de novembro de 2014 na Austrália e em 2 de dezembro do mesmo ano no resto do mundo. É o álbum mais curto da banda, com pouco menos de 35 minutos, sendo dois minutos mais curto que o antigo detentor do recorde, Flick of the Switch (1983). É também o primeiro álbum do grupo sem o guitarrista e membro fundador Malcolm Young, que deixou a banda por motivos de saúde. Neste lançamento, ele foi substituído por Stevie Young, sobrinho dele e do outro guitarrista Angus Young.
 
Fonte: Wikipédia
Richie Kotzen é considerado um dos melhores guitarristas do mundo
e tem um som tão característico que é quase como uma caligrafia.
Inconfundível! 
 
Este ano, o guitarrista e compositor lançou seu vigésimo álbum solo, “Cannibals”, e esteve em uma pequena turnê pelo Brasil abrindo os shows da banda Extreme em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.  
Em um set curto e eficaz, com hits como “you can’t save me”, “doing what the devil says to do” e fechando com “go faster”, Richie conquistou a platéia que lotava o HSBC em São Paulo no sábado pós dia dos namorados. Os solos impactantes e um notável entrosamento entre a banda mostrou que, mesmo depois de todos esses anos, o hardrock ainda pode impressionar.  
 
Por Luana Ferrari
 
Cult Circuito - Esse ano você lançou um novo álbum solo, “Cannibals”. Conta um pouco da criação e concepção desse disco. 
 
Richie Kotzen - Eu escrevi a música “Cannibals” numa onda de criação. Ela simplesmente veio, junto com uma ou duas outras ideias de música – acho que “The Enemy” foi uma delas. E tinha também uma música que eu tinha composto com a minha filha, “You”. Com isso eu entrei em “modo disco”, em “modo gravação”, e fui jogando ideias aqui e ali. Foi assim que esse disco surgiu. Aliás, não só esse disco, mas é assim que os meus discos surgem. Eles acontecem.      Eu começo com duas ou três músicas novas que me empolgam e aí eu olho pra trás e vou buscar coisas que eu comecei a escrever e nunca concluí. É quando essa bola de inspiração começa a rolar que eu, normalmente, consigo terminar esses trabalhos antigos. 
   O que é interessante nesses álbuns é que eles contêm, obviamente, músicas novas, mas também tem coisas que eu não conseguia terminar por muitos anos e já tinha até esquecido. É uma mistura de trabalhos novos e redescobertas. Por exemplo, a música “Come on free” estava no meu HD acho que há uns nove ou dez anos. Depois de ter escrito “Cannibals” eu pensei ‘bom, agora, finalmente, eu posso incluir isso dentro de um álbum’. De algum modo, esse é o meu processo.
   Ao mesmo tempo, ultimamente, eu penso que gostaria de tentar algo diferente da próxima vez que eu fizer um disco solo. Eu venho trabalhando há tanto tempo com o Dylan (Wilson – baixo) e o Mike (Bennet – bateria) e acho que seria divertido entrar em um estúdio como nos velhos tempos. Sabe, marcar uma hora e fazer um disco com todos tocando juntos. A maioria dos meus álbuns eu meio que toco tudo. Eu sempre tenho convidados que vêm e gravam algumas coisas, mas isso é algo que eu não faço há muito tempo e acho que eu gostaria de reviver essa experiência, especialmente depois de estar tocando com esses caras há tanto tampo. Acho que acrescentaria muito à música.
 
Cult Circuito - Como você imagina esse processo? Vocês criariam juntos... 
 
Richie Kotzen - Bom, eu faria... É o seguinte. O que me empolga na música, o que me faz fazer música, é o processo criativo. Eu escreveria as canções, mas ao invés de escrever e imediatamente gravá-las sozinho, eu as escreveria, sentaria ao piano ou com uma guitarra acústica e tocaria para a banda. Eles teriam tempo de digerir a ideia e então colaborariam na produção e veríamos o que acontece. 
 
Cult Circuito - Você falou sobre a música que você compôs com a sua filha, August. Eu sei que essa música veio de uma melodia que ela tinha criado e que ficou esquecida por anos. Como isso aconteceu?
 
Richie Kotzen - Sim! Faz anos... Quer dizer, eu nem sei mais... Há muito tempo, acho que ela tinha uns doze ou treze anos, ela estava sentada ao piano tocando um mesmo trecho sem parar e eu perguntei ‘o que é isso?’ – nós tocamos a melodia algumas vezes até que ela disse ‘Eu que inventei’. Eu disse ‘Isso é muito legal! Nós deveríamos gravar, pra você não esquecer. ’ – disse isso, pois eu tinha certeza que ela provavelmente esqueceria a melodia com o tempo. Então, eu arrumei os microfones sobre o piano e gravei-a tocando por uns sete minutos. Eram três partes que seguiam sem parar. Depois, eu me esqueci dela.
   Mais recentemente, eu estava limpando meu HD e encontrei a gravação. Ouvi de novo e disse ‘isso é muito legal’. Ela não havia feito nada com essa música por anos e então, eu meio que escrevi uma letra e segui a melodia do piano. No final, saiu algo que eu achei que ficou bastante “único”. Quando eu terminei, mostrei pra ela e ela curtiu. Nós decidimos, então, fazer um vídeo e criamos um conceito bem legal. Nós encontramos uma casa velha, bem “vintage”, dos anos 1920, na Califórnia e gravamos o vídeo. Você tem que assistir, é bem legal!
 
Cult Circuito - Estávamos falando sobre o seu processo de criação. Você acha que ele mudou ao longo dos anos? Evolui de alguma forma?
 
Richie Kotzen - Bom, nada mudou recentemente, não. Na verdade, nunca chegou a mudar de verdade. Eu cresci em uma pequena cidade, bastante isolada, e quando eu comecei a fazer minhas demos, eu precisava descobrir como gravar as minhas ideias. Eu arrumava meu ambiente de gravação de modo que eu pudesse pular de um lado para o outro, da bateria para o baixo, piano, guitarra... Eu diria que eu não sou incrivelmente bom em nenhum desses instrumentos, mas eu sou capaz de transmitir o que eu estou ouvindo e era assim que eu fazia as demos e, antigamente, era assim também que eu fazia os meus discos. Eu trazia pessoas para tocar as partes e, com o tempo, eu fui ficando mais aventureiro e passei a tentar tocar eu mesmo. Mas o processo em si não é diferente. 
   Hoje em dia, quando eu gravo, eu organizo o meu estúdio com a bateria microfonada, a guitarra e o baixo plugados, para eu poder andar em círculos. Eu posso colocar uma batida em uma faixa, aumentar uma linha de guitarra, cantar alguma coisa. Com isso, surgem coisas que podem, ou não, entrar no disco. Com o passar do tempo a música evolui e se torna algo que eu ouço e penso ‘está pronta. Está soando como o que eu ouvia na minha cabeça’. Finalmente essa é a única variável real; quando você ouve e fica satisfeito com tudo. É aí que você sabe que a música está pronta. Claro que é fácil se deixar levar pelas incertezas e dúvidas, mas você precisa, em certo momento, realmente confiar nos seus instintos. 
 
Cult Circuito - Nós falamos sobre o seu processo criativo e como ele mudou, ou não mudou. Como você vê tudo isso dentro do cenário do rock? Você acha que as coisas mudaram nas últimas décadas? Quando você tocava com o Mr Big e com o Poison você era esse guitarrista virtuose que tocava milhares de notas por segundo. A habilidade continua a mesma, ou até melhor, mas a gente ouve um fraseado diferente, pausas... Você acha que, de alguma forma, você amadureceu como músico? 
 
RICHIE KOTZEN, show HSBC BRASIL / SP - 2015   (Foto: Divulgação HSBC BRASIL )    

Richie Kotzen - O fraseado é muito importante. É uma língua. É como você se comunica no espaço. Fraseado é a chave. No entanto, eu acho que tenho uma luta interessante porque a minha notoriedade veio de um certo gênero, em um determinado momento, em um ponto da minha evolução. Eu era, literalmente, um garoto de 17 anos escrevendo música instrumental de guitarra para tentar entrar na revista “Guitar Player”. Eu via isso como uma saída. Qualquer coisa que acontecesse depois disso não importava, mas eu via isso tudo como uma maneira de sair da minha pequena cidade. Finalmente, o que aconteceu de fato foi que eu acabei por gravar um disco com aquelas composições de quando eu era um guitarrista de 17 anos. Esse período da vida, 16, 17, 18 e 19 anos, é quando você realmente começa a evoluir. Foi nesse período que eu comecei a crescer como pessoa. Eu comecei a lembrar das músicas que eu ouvia quando era criança e o que me inspirava, o que me fazia querer tocar.

   Com isso eu comecei a cantar e a escrever letras, e realmente foquei em me expressar através da música e não somente através da guitarra. Eu quase abandonei a guitarra por um tempo pra me dedicar a outras coisas. Desde o princípio eu pensava ‘eu amo música’. Quando eu era adolescente eu pensava ‘eu amo tocar hard rock na guitarra’, mas depois eu evoluí e me afastei disso. Com isso, a guitarra passou a ser mais um veículo para expressar as minhas ideias, para trazer minhas músicas à vida. Eu acho que a luta é porque eu fiquei conhecido como um certo tipo de guitarrista que não era necessariamente a verdade. Não representava a essência da minha entidade criativa. Conforme eu fui ficando mais velho, eu pude encontrar essa essência em mim mesmo. Eu cheguei a um ponto onde disse ‘oh, isso é o que eu curto em termos de música. Isso é o que eu gosto’. 

   Agora, como adulto, sinto que o círculo se completou. Eu subo no palco e não preciso mais abandonar a maneira de tocar guitarra com a qual eu cresci, mas ao mesmo tempo eu consigo expressar a criatividade e os elementos da música. Como eu disse, o círculo se fechou. Eu estou em um ótimo momento de criatividade. Não posso reclamar. Mas foi uma longa jornada até chegar onde estou e muitos obstáculos foram superados que pouco ou nada tinham a ver comigo ou com o meu vocabulário como músico. Na indústria tem muita gente querendo te analisar e te dizer o que você é. Com isso, eu descobri que era importante criar um ambiente onde eu pudesse ser eu mesmo. É isso que a minha banda tem de tão poderoso. Dylan e Mike criam uma tela para que eu seja eu. E é por isso que tudo soa tão bem. Se as pessoas gostam ou não, é irrelevante. O que é relevante é que quando eu estou no palco, como eu fiz hoje à noite, é verdadeiro. 
   É o que é. Erros, acordes errados, acordes certos, é... Isso é Richie Kotzen! Isso é o que eu faço. É por isso que eu sou grato. Finalmente depois de tantos anos eu cheguei a um ponto onde eu posso me representar sem influências externas que me fazem sentir desconfortável.
 
Cult Circuito - Eu me lembro que você tem uma bagagem musical bastante interessante e você falou sobre “lembrar o que te levou a fazer música”. Então, o que foi? O que você ouve e/ou ouvia? Quais as suas referências? 
 
Richie Kotzen - Eu cresci em um ambiente bem interessante. Minha mãe era fã de rock. Ela viu Hendrix diversas vezes; foi ao show dos Beatles na primeira vez que eles foram aos Estados Unidos; viu The Rolling Stones; Blood Sweat and Tears, The Who, quando eles abriram pro Herman’s Hemits. Ela tinha todos esses discos. Meu pai era fã de R&B. Ele tinha discos de Curtis, Mayfield, All Green, Sam & Dave. Eu cresci com essa espécie de equilíbrio. Ao mesmo tempo, eu ouvia as rádios da Philadelphia com The Spinners e, mais tarde, “Hall and Oates”. Com o tempo esse som começou a fazer parte do meu DNA. Tem também algumas coisas modernas que eu ouço e que me inspiram de tempos em tempos. Assim, de imediato eu não consigo pensar em nada específico, mas, de vez em quando eu ouço alguma coisa que me faz pensar ‘oh wow, isso me lembra o passado, mas soa diferente e novo’.
   Eu não acho que o espírito da música tenha morrido de forma alguma. Acho que ele evoluiu. O interessante é que agora temos pessoas fazendo música que, quando eu era criança, nunca poderiam fazer simplesmente por não ter a habilidade necessária. A tecnologia permite que alguém, que não são necessariamente músico, que talvez nem saiba afinar uma guitarra, grave algo que pode vir a conectar com outro alguém. Vários músicos estão reclamando disso, mas, ao mesmo tempo, temos que ver o outro lado dessa evolução, onde temos pessoas sendo criativas de um modo que antes era impossível. Eu acho que isso ajudou a abrir o leque de oportunidades. Sem contar que ainda temos jovens que são excelentes músicos e que estão levando o instrumento para outro nível. É isso. Nós temos cada vez mais. Ah, e tem o youtube, para quem está aprendendo. Quando eu era garoto eu não podia ver alguém tocando uma linha de guitarra que eu não estivesse conseguindo decifrar sozinho. Agora isso é possível. Com isso, vemos os jovens avançando e evoluindo cada vez mais rápido pois eles têm e sabem usar todos esses recursos. Eu acho isso tudo muito interessante.
 
Cult Circuito - Então você acha que o cenário está evoluindo?
 
Richie Kotzen - Todo mundo gosta de dizer que estamos andando para trás. Eu acho que culturalmente isso é verdade, estamos andando pra trás. Eu acho que, hoje em dia, todo mundo é uma estrela. Literalmente. E isso faz com que o nível cultural fique absurdamente desinteressante.  No entanto, quando falamos de criatividade, vemos gente quebrando barreiras, seguindo em frente e fazendo coisas que nunca foram feitas que necessitam um certo grau de integridade artística e alguma habilidade. Na verdade, é a mesma coisa que sempre foi, mas em uma escala maior. 
 
Cult Circuito - Você acha que tem alguma diferença para um músico estar no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa ou onde quer que seja? Você acha que a localização geográfica faz com que fique mais ou menos fácil? Faz com que alguém tenha mais ou menos oportunidades.
 
Richie Kotzen - As pessoas gostam de muletas porque se você tem uma desculpa fica mais fácil engolir não conseguir o que você queria. Mas, honestamente, eu não sei o quanto isso realmente faz diferença. Quando eu penso que vim de uma cidade pequenininha na Pensilvânia, onde havia uma cena musical muito limitada – a Filadélfia tinha uma cena musical, e eu podia chegar lá em uma hora, mas... – a verdade é que eu vim do nada e cheguei onde quer que seja. Muitos artistas vieram de diferentes lugares. As pessoas vêm de toda parte. Eu não acredito que essa seja uma muleta válida. Eu acredito que se você fizer algo que dialogue com as pessoas, que conecte com elas, você vai encontrar o seu caminho. Ao mesmo tempo, você pode ser o músico mais talentoso e viver no centro de Nova Iorque e, por qualquer razão desconhecida, as coisas podem simplesmente não acontecer. 
   Pessoalmente, eu trilhei um caminho de frustrações constantes por nunca estar verdadeiramente onde eu queria em termos da minha carreira. De repente, no meio da minha carreira, eu abandonei todo pensamento que eu tinha e passei a seguir as minhas emoções e disse ‘eu só vou fazer música que me deixe feliz.’ Foi assim que eu comecei a sentir que eu estava sendo honesto comigo mesmo, em paz, e com isso portas começaram a se abrir e as pessoas começaram a se conectar com aquela honestidade artística. Eu acho que essa é a grande sacada. Eu não sei se faz muita diferença onde você está. Pense que uma banda como Journey achou um vocalista do Pacífico Sul. Eu acho que não consigo validar o argumento de ‘eu seria uma grande estrela mas estou preso nessa cidade pequena’. Eu não sei mais como as coisas são no começo. Eu tenho 45 anos e lancei o meu primeiro disco aos 18. Estou certo que a minha perspectiva está um pouco distorcida, mas eu acho que a coisa da criatividade é que você faz o que faz porque precisa. É quase uma terapia. Se você estiver fazendo porque precisa ser reconhecido por isso, você está ferrado.          Você entendeu tudo errado. Se você faz simplesmente porque precisa, e porque curte; esse é o começo e o fim. Se você pensa ‘eu preciso ganhar a vida, preciso de dinheiro’, sabe de uma coisa? Arranje um emprego. Seja médico, vá para a escola, abra uma barraca de cachorro-quente. Faça o que você tiver que fazer pra sobreviver. Mas quando se mistura criatividade e finança cria-se um caos interno. Até para os mais bem sucedidos. Alguns ficam famosos pela sua arte e fica fácil se prender em premissas como ‘agora que eu ganhei dinheiro com a minha arte eu tenho que seguir essa linha, mas, de repente, eu não sinto mais dessa forma, quero mudar’. As vezes você muda e perde o que havia conquistado. Você tem que decidir. Se você for sofisticado o suficiente, mentalmente, para separar as coisas, pode ser que tudo dê certo. Mas, pra mim, são duas coisas diferentes. Se eu não pudesse tocar da maneira que eu quero, da maneira que eu ouço, que eu sinto, como eu fiz hoje a noite, eu abandonaria tudo. 100%.  Largaria tudo e arranjaria um emprego como empreiteiro. Eu construiria casas, ou eu trabalharia para a prefeitura de Los Angeles e construiria as linhas de esgoto da cidade; eu pagaria as minhas contas e deixaria minha arte ser minha arte. Eu não quero questões financeiras infiltradas nas minhas decisões criativas. Se não vira ‘porque eu estou fazendo isso? Ou ‘Não é isso que me empolgava.’
   Nem todos se sentem assim. Eu tenho certeza que para um artista pop a formula é diferente. É uma vida diferente. É uma vida que eu não conheço. E é ótima também, mas eu estou falando sob a minha perspectiva, sabe. É o que eu penso...
 
Álbum Cannibals / Richie Kotzen
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