Domingo, 22 Outubro 2017

O impacto da tragédia do Rio Doce para a saúde

Fonte: Instituto Saúde e Sustentabilidade Fonte: Instituto Saúde e Sustentabilidade
Estudo inédito investiga os principais problemas físicos e psicológicos de quem, até hoje, continua sendo atingido pelo crime da mineradora Samarco.
 
 
 
A imagem abaixo ilustra os problemas enfrentados hoje por quem ainda vivencia o maior desastre socioambiental do país – a destruição da bacia do Rio Doce pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco, que é controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton. No diagrama, feito  a partir dos resultados de pesquisas  junto à população, problemas respiratórios, de pele, dengue e emocionais se destacam entre os males mais recorrentes ou percebidos. Porém, os danos podem ir além, quando levado em conta as doenças crônicas que poderão vir a se desenvolver ou se agravar, sem que a Samarco ou o sistema público de saúde estejam se preparando para isso.
 
O estudo "Avaliação dos Riscos em Saúde da População afetada pelo Desastre de Mariana", realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS) analisou os moradores de Barra Longa (MG), em função do município ser considerado um dos piores em situação. "Em Bento Rodrigues, onde a lama destruiu tudo, não se mexeu mais e ninguém ficou por lá para ser afetado. Em Barra Longa, o pó da lama seca chegou aos quarteirões mais altos em função do trânsito de veículos e da própria reconstrução da cidade, atingindo todo mundo", explica a médica e diretora do ISS, Evangelina Vormmitag, que coordenou o estudo.
 
De uma população de quase 6 mil habitantes, a pesquisa ouviu 289 famílias e seus 576 membros, calculados de forma estatística e sorteados a partir da lista das famílias do Programa Social de Família da Secretaria Municipal de Saúde de Barra Longa. Dos entrevistados, 35% afirmaram que a saúde piorou após o desastre. Para realizar a pesquisa, eles responderam um questionário e entrevistas sobre os sintomas que vêm sentindo após o desastre da Samarco.
 
Dentre os problemas relatados, 40% são respiratórios; 15,8% afecções de pele; 11% transtornos mentais e comportamentais; 6,8% doenças infecciosas; 6,3% de doenças do olho; e 3,1% problemas gástricos e intestinais. Para crianças de até 13 anos completos, as doenças respiratórias são 60% das queixas.
 
Desde o desastre, 56% dos respondentes afirmaram terem deixado de realizar alguma de suas atividades habituais e domésticas, e 49,5% chegaram a ficar acamados. Também houve a preocupação de inquirir sintomas, uma vez que os indivíduos poderiam não ter o diagnóstico da doença. Os prevalentes foram dor de cabeça, tosse e dor nas pernas, alergias de pele, febre e rinite. Dor nas pernas, por exemplo, é um sintoma comum de intoxicação por minério.
 
Para Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace, os impactos na saúde mostram a amplitude de um desastre ambiental e é apenas uma das consequências da negligência de empresas em seus projetos de infraestrutura exploratória. "A população atingida tem que ser monitorada para uma ampla análise e suporte real à saúde dos atingidos. O que resta nesse momento é demandar que os órgãos municipais se organizem para esse monitoramento necessário, já que a Samarco não interesse em fazê-lo", diz Fabiana.
 
O estudo faz parte de uma série de pesquisas que contemplam mais outras cinco áreas: Água (já divulgado), Fauna, Flora, Impactos Sociais e Direitos Humanos. Todos conduzidos por pesquisadores independentes de universidades e institutos brasileiros, e financiados com doações captadas por artistas do coletivo Rio de Gente e gerenciadas pelo Greenpeace.
 

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