Domingo, 22 Outubro 2017

STARTUP usa tecnologia para transpor barreiras entre surdos e ouvintes

Os Fundadores / Foto: divulgação Os Fundadores / Foto: divulgação
Com inovação e acessibilidade digital, Hand Talk usa tecnologia para transpor barreiras entre surdos e ouvintes
 
 

 

Liderada por Hugo, um simpático intérprete 3D, a Hand Talk possui um aplicativo que faz a tradução automática de texto e voz para Língua Brasileira de Sinais (Libras). O negócio de impacto social acelerado pela Artemisia oferece soluções empresariais de acessibilidade para surdos em sites.
 
No Dia Nacional da Educação dos Surdos (23 de abril), cabe uma reflexão. De acordo com dados do Censo 2010, o Brasil possui quase 10 milhões de pessoas que declararam ter alguma deficiência auditiva, ou seja, 5% da população. A deficiência auditiva severa foi declarada por mais de 2,1 milhões de brasileiros – desses, 344, 2 mil são surdos e 1,7 milhão tem grande dificuldade de ouvir. Na análise educacional, vemos que cerca de 70% dos surdos brasileiros enfrentam limitações para compreender a Língua Portuguesa. Na prática, por serem alfabetizados na Língua Brasileira de Sinais (Libras) – e pelo português ser uma língua basicamente fonética – o aprendizado se torna mais difícil, demandando escolas bilíngues, ainda escassas no país. É como se um brasileiro fosse viver na China, sem entender ou ler chinês. Para mudar essa situação, três jovens empreendedores criaram a Hand Talk – negócio de impacto social que possui um aplicativo responsável pela tradução automática de texto e voz para Libras.
 
Acelerado pela Artemisia, o aplicativo é uma das grandes inovações nacionais do segmento de tecnologia assistiva. O termo, originado do inglês assistive technology, é utilizado para identificar recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, resultando em inclusão e melhor qualidade de vida.
 
"Nesse setor, potencializamos negócios que por meio da tecnologia oferecem produtos e serviços inovadores, que ampliam as habilidades das pessoas com deficiência. Na prática, gerando inclusão e promovendo autonomia – sobretudo da população menos favorecida, de baixa renda. Identificamos e apoiamos a Hand Talk por termos percebido a genuína intenção dos empreendedores e o grande potencial do impacto do negócio, que oferece uma solução inovadora e escalável, e que hoje já influencia a vida de milhares de brasileiros", avalia Priscila Martins, gerente de Relações Institucionais da Artemisia.
 
A história do aplicativo começou em 2008, quando o publicitário Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk, teve uma ideia que mudaria não só a própria vida, mas a realidade de milhões de surdos nos quatro cantos do país – um projeto de faculdade, idealizado quando o empreendedor percebeu que poderia unir duas paixões: tecnologia e comunicação, para resolver um problema global e ajudar milhões de pessoas. A ideia ficou guardada por quatro anos. Em 2012, Tenório, em parceria com dois amigos e sócios – Carlos Wanderlan (analista de sistemas) e Thadeu Luz (arquiteto especialista em 3D) – se uniram para criar a Hand Talk e o simpático intérprete virtual, Hugo.
 
Dentro da empresa foi criado o aplicativo Hand Talk, um tradutor de bolso que é usado como um recurso de tradução para Libras, estreitando laços entre surdos e ouvintes. O app conta com a ajuda do Hugo, um intérprete virtual 3D, que traduz texto e voz para a Língua Brasileira de Sinais – que também está presente em uma sessão educativa chamada Hugo Ensina, com uma série de vídeos que ensinam expressões e sinais em Libras a crianças e adultos.
 
Segundo Ronaldo Tenório, devido à percepção das pessoas e empresas sobre a importância de tornar os canais acessíveis à comunidade surda, a solução já está presente em milhares de websites brasileiros. "O número de usuários tem aumentado exponencialmente. Existem planos para todos os tipos e portes de sites, de forma que a ferramenta pode ser adquirida por um pequeno blog até um grande portal. Quase 70% dos surdos têm dificuldade de compreender o português e, até então, a internet era inacessível para eles", afirma, acrescentando que tem entre os clientes marcas como Magazine Luiza, Avon, Natura, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Catraca Livre.
 
Desde a criação, a empresa vem recebendo prêmios no Brasil e exterior; foi eleito o melhor aplicativo de inclusão social do mundo no World Summit Award Mobile – prêmio criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. No ano passado, Ronaldo Tenório foi eleito pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) como um dos 35 jovens mais inovadores do mundo (Innovators Under 35).
 
A história da Hand Talk começou a mudar em 2013, quando os empreendedores foram selecionados pela Artemisia para passar por um processo de aceleração. "Esse processo foi muito rico para nós. Tivemos muitos mentores, empreendedores e pessoas trabalhando com a gente. Saímos de Alagoas e participamos de vários eventos ao redor do país. Foi um processo esclarecedor em vários pontos de vista, principalmente para entendermos que um negócio de impacto social não é uma ONG: ele tem que ser sustentável, ter escala e receita para crescer e aumentar seu impacto", conta Carlos, que hoje atende como CTO da empresa.
 
Hoje, o aplicativo ultrapassou a marca de 1 milhão de downloads e tem 150 mil usuários ativos por mês. Desde a criação, já impactou mais de 6 milhões de pessoas. Em 2017, o app se tornará uma ferramenta global ao incluir a Língua Americana de Sinais. Estima-se que 5% da população de um país seja de surdos, o que representa 15,9 milhões de pessoas nos Estados Unidos. "A expectativa é que até o final deste ano o aplicativo seja lançado nos Estados Unidos e, a partir daí, será mais fácil escalonar para outras línguas e países. Pretendemos, também, abrir uma nova e mais robusta rodada de investimento", afirma.
 
Salto na educação
 
Como a maioria dos surdos tem dificuldade em compreender o português, a internet está praticamente offline para uma boa parcela da população. Diante dessa problemática, adotar o Hugo como tradutor em um website é inovador, estratégico e responsável socialmente. Para tornar isso possível, a Hand Talk também disponibiliza o Hugo para websites, levando acessibilidade a milhares de páginas de internet ao mesmo tempo, de forma simples e prática. O Tradutor de Sites é representado por um botão de acessibilidade que fica do lado direito da tela. Quando ativado, o Hugo traduz os textos selecionados pelos visitantes para Libras, automaticamente. Esses sites acessíveis passam a abrir portas para milhões de pessoas, que até então não eram alcançadas por aquele conteúdo, com isso, o surdo ganha autonomia para obter informação e conhecimento na web.
 
Desde 2002, a Libras é tida como segunda língua oficial do Brasil; em janeiro de 2016, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), entrou em vigor, sancionando diversas ações para a acessibilidade de todos os tipos de deficiência. Com o intuito de estabelecer uma aproximação ainda maior entre a comunidade surda e as organizações, nasceu o Movimento “Site Amigo do Surdo” – iniciativa da Hand Talk em prol da acessibilidade na internet, agrupando e categorizando todos os sites acessíveis em Libras com o Hugo em um único buscador, o "Google do surdo". Acessando www.amigodosurdo.com, você encontra diversas categorias entre páginas de serviços, shoppings, restaurantes, e-commerces – todos acessíveis em Libras. O Site Amigo do Surdo oferece mais facilidade para a comunidade surda e uma vitrine segmentada para as organizações acessíveis.
 
 
ARTEMISIA
 
A Artemisia é uma organização sem fins lucrativos, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil. A missão da organização é inspirar, capacitar e potencializar talentos e empreendedores para criar uma nova geração de negócios que rompam com os padrões precedentes e (re)signifiquem o verdadeiro papel que os negócios podem ter na construção de um país com iguais oportunidades para todos. Fundada em 2004 pela Potencia Ventures, a Artemisia é signatária do Pacto Global das Nações Unidas; possui atuação nacional e escritório em São Paulo.
 
A Artemisia foi a primeira organização do Brasil a fazer parte da Omidyar Foundation, a mais respeitada organização no setor de investimento de impacto, fundada por Pierre Omidyar, empreendedor do Ebay. Recentemente, a ARTEMISIA também foi anunciada como uma das cinco organizações selecionadas, entre 115 de toda a América Latina, pelo edital da Rockefeller Foundation, Avina, Avina Americas e Omidyar. www.artemisia.org.br
 
 
 
Última modificação em Quinta, 20 Abril 2017 19:58

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